segunda-feira, 9 de abril de 2012

Metrô de Salvador deve operar no 2º semestre



O metrô seria a solução ideal para o transporte de massa em Salvador, mas acabou tornando-se motivo de problemas, e de piadas. Ao longo de 12 anos em construção, a Linha 1, com 6,5 km de extensão no primeiro tramo (Lapa-Acesso Norte), é chamada de tudo pela população: ferrorama, calça-curta e montanha-russa. Tudo menos metrô.

Sob responsabilidade da prefeitura, o sistema metroviário, cujo projeto inicial perfazia 13 km (Lapa-Pirajá), consumiu até agora R$ 720 milhões apenas para a metade do percurso e mais 27% das obras do segundo tramo (Acesso Norte-Pirajá), segundo o secretário municipal de Transportes, José Mattos. O orçamento inicial era de R$ 307 milhões e a entrega de toda a linha estava prevista para 2003.

Mattos afirma que até o final desse semestre, o novo transporte será disponibilizado para a população, nove anos após vencer o primeiro prazo da entrega da obra.“Estamos em fase de comissionamento (testes dinâmicos e estáticos) e pelo planejamento, o metrô será colocado em operação assistida até junho”, garante.

O secretário ressalta que o governo federal assegurou recursos da ordem de R$ 33 milhões para subsidiar as operações ao longo de um ano. “A população deve, inicialmente, adaptar-se a usar o sistema. Só depois, começaremos a cobrar a tarifa”, diz. O custo do bilhete, garante, será o mesmo cobrado no transporte coletivo, além de ser integrado aos ônibus. “No período de duas horas, o cidadão poderá fazer a integração com apenas um bilhete”, comenta.

A longa viagem da construção do metrô, de acordo com Mattos, enfrentou uma série de pedras no caminho (veja Linha do Tempo). Contingenciamento de recursos, mudança dos financiadores e da constelação de instituições envolvidas no projeto, assim como questões políticas estão entre os principais fatores. “O acordo era para que a empresa executora entregasse a chave do trem e a prefeitura colocasse a população dentro, mas uma série de questões relacionadas ao projeto começaram a atrasar o cronograma”, recorda.

Entre os eventos que ralentaram o andamento das obras, afirma Mattos, está a intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2007, quando o órgão determinou a divisão da linha em dois tramos, cada um com 6,5 quilômetros de extensão. “A suspeita de superfaturamento motivou a decisão do órgão federal, mas não se confirmou.

Em paralelo, a alimentação irregular de recursos e uma série de paralisações nas obras retardaram todo o processo”, expõe.
Prefeitura de Salvador testa metrô da cidade (crédito: Divulgação)
Além disso, entraves politiqueiros também emperraram a finalização da obra, na opinião do secretário.

 “A questão política começa a existir quando há uma irregularidade no fluxo de recursos. Se houvesse vontade política, a obra não se arrastaria por tanto tempo”, avalia Mattos.

As obras do segundo tramo, de acordo com ele, devem ser reiniciadas nesse semestre. “A projeção para a conclusão é em 2013. Esse sistema será integrado ao metrô da Paralela, cuja obra está a cargo do governo estadual”, reforça. O orçamento das obras do segundo tramo, diz o titular da Setin, foi elaborado pelo Exército, a pedido do TCU. “Ainda não podemos divulgar os valores porque o Tribunal ainda não recebeu o orçamento. A empresa executora também precisa avaliar a compatibilidade e a viabilidade da execução de acordo com os valores apresentados pelo Exército”, menciona.

Leo Barsan, do Mobilize Brasil* -Salvador

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