quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nada de Leão. Papão segue na CB 2012




O Paysandu nunca havia chegado a uma disputa de oitavas de final da Copa do
Brasil. O tabu parecia difícil de ser superado. Afinal, a equipe paraense tinha à frente um campeão. Mas, de 2008, o Sport não teve coisa alguma. A torcida não encheu o estádio, diferente das decisões de quatro anos atrás. O time não mereceu. E o público inferior a 15 mil pessoas esvaziou as arquibancadas com vergonha. Revoltado com o desempenho do time, com as escolhas do técnico Mazola Júnior, com o resultado, com a eliminação. Perder de 4 a 1 em casa? Pareceu mentira. Mas o oponente fez por merecer: agiu como Papão. E instalou a crise na Ilha do Retiro.

Com 15 minutos de jogo, o torcedor rubro-negro já não se continha de tanta
insatisfação. Seja com os erros de passe, com as brechas de marcação ou com o
árbitro. Parecia adivinhar como seria todo o restante da partida. Futebol sofrível. Em vantagem por ter vencido o duelo de ida por 2 a 1 e com o regulamento embaixo do braço, o Paysandu cercou o Sport e avançou sem pressa.Criou a primeira chance de gol da partida, com Thiago Potiguar, um dos melhores em campo. Aos 15, enfim, o Leão arrematou a gol. Renê chutou sem ofertar dificuldade à meta do Papão.

Aos 30, o rendimento apático seria injustamente coroado com gol. Mas Paulo César Oliveira viu Jael dominar a bola com a mão antes de mandá-la para o fundo das redes. Lance corretamente anulado. O Sport voltou a campo tão
improdutivo quanto saiu. Logo com 12 minutos, a ducha de água fria. O
“popular” Pikachu recebeu passe da defesa, avançou do lado direito e chutou
forte, cruzado e rasteiro: 1 a 0. Seis minutos depois, o gol para afastar
qualquer possibilidade de reação do Leão. Heliton não desperdiçou o cruzamento
e ampliou: 2 a 0.

A 15 minutos do fim do jogo, o zagueiro Bruno Aguiar descontou para o Sport.
Naquele momento, o time precisaria de mais três. Mas esbarrou em um inspirado
Paulo Rafael, ex-terceiro goleiro do Sport. Nem as cobranças de falta de Marcelinho Paraíba conseguiram ser concluídas com êxito. Não deu tempo nem de
sonhar. Aos 40, em lance polêmico, do qual Hamilton reclamou de pé alto, Heliton aproveitou a brecha do juiz e fez mais um: 3 a 1.

As vaias e os xingamentos dos leoninos se transformaram em irônicos gritos de
“olé, olé”. Não faltou ainda o coro de “burro, burro”. Do outro lado, Lecheva,
aquele responsável por perder o pênalti do título do Santa Cruz, durante a
final do PE2006 contra o próprio Sport, mantinha um riso discreto. Aparentemente, de vingança. Para fechar a atuação medonha dos rubro-negros, só mais um do Paysandu. E, dos pés de Rafael Oliveira, surgiu o gol da
humilhação, da goleada. Dia para o Leão esquecer.

Rodolfo Bourbon - Diario de Pernambuco

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