quinta-feira, 3 de julho de 2014

Bahia aproveita Copa do Mundo para fortalecer imagem



Com direito a Neuer e Schweinsteiger, da seleção da Alemanha, berrando "Bahêa, Bahêa, Bahêa", uma coisa é fato: o Bahia foi a equipe brasileira que melhor aproveitou a Copa do Mundo para promover sua imagem. As muitas aparições na mídia e nas redes sociais no último mês foram todas parte de um plano traçado pela diretoria do clube para alcançar uma meta bastante ousada: ser o maior time do Brasil nos próximos três anos.

Além do vídeo dos alemães vestindo o uniforme do clube, a camisa do Bahia ainda foi vista nas redes sociais nas mãos de grandes personalidades da Copa, como o técnico dos Estados Unidos, Jurgen Klinsmann. Segundo o marketing da equipe tricolor, foi feita uma aproximação com seleções que podem ensinar novas estratégias de gestão ao time.

"Todo mundo falou: 'ah, que golpe de sorte os alemães aparecerem com a camisa do Bahia'. Muito pelo contrário: já estávamos pensando e planejando isso há tempos. Quem nos ajudou nisso foi o Dante, que deu a camisa para eles. Mas já estávamos conversando com os alemães desde bem antes da Copa", explica Priscila Ulbrich, gerente de marketing da equipe tricolor, ao ESPN.com.br.

"E o melhor de tudo: gastamos muito pouco, o que é essencial para nós, já que vivemos um momento de reestruturação financeira", afirma.

Zagueiro Dante virou embaixador oficial do Bahia

Dante, no caso, é o zagueiro da seleção brasileira. Torcedor fanático do "Esquadrão de Aço", ele foi "promovido" a embaixador do Bahia, ajudando a fazer com que o clube de Salvador virasse mania entre os gringos.

A estratégia não poderia ter dado mais certo. Segundo dados do departamento de marketing do Bahia, o volume de notícias nacionais e internacionais sobre o time durante a Copa cresceu 350%.

A venda de camisas também bombou, principalmente entre torcedores dos Estados Unidos (pelas cores semelhantes), aumentando 30% - o uniforme amarelo, que homenageia a seleção brasileira, também foi um sucesso.

Nas redes sociais, outro sucesso: média de 2 mil novas curtidas no Facebook oficial do clube todos os dias, além da interação entre torcedores estrangeiros.

"Na transmissão de Bélgica x EUA [jogo em que Klinsmann posou com a camisa do Bahia], todas as emissoras falaram do Bahia. Foi o único time citado em uma transmissão de Copa! Aí você já vê a importância do que foi feito. Estamos recebendo e-mails de jornalistas do mundo todo. Só da Alemanha, recebi uns 80!", conta Priscila.

De fora do Brasil, já há muitos pedidos por produtos da equipe tricolor, segundo o departamento de marketing. Flâmulas do "Bahêa" são o principal objeto de desejo dos gringos. Em breve, o site dos baianos também terá versões em línguas estrangeiras.

"Queremos que o Bahia deixe de ser um time do Nordeste apenas. Estamos abrindo as portas e janelas do mundo para nós. Aparecemos na France Press, na TV alemã, na BBC, na ABC... O céu é o limite", brinca a gerente, que cria suspense.

"Esses que apareceram com a camisa do Bahia, como Neuer, Schweinsteiger, Ozil, Klose e Klinsmann, foram só os primeiros. Aguarde, que virão muitos mais. Deixamos a cereja do bolo para depois da Copa ainda", ressalta.

A estratégia das camisas deu tão certo na equipe da Fonte Nova que, recentemente, outros times brasileiros resolveram apostar nela. Casos, por exemplo, do Corinthians, que deu uma camisa para Lionel Messi após treino da Argentina em São Paulo, e do Santos, que distribuiu uniformes para atletas da Costa Rica.

Aprendizado e grana de patrocínio

Segundo a diretoria baiana, o objetivo das ações de marketing durante a Copa não é apenas aparecer nas redes sociais, mas sim iniciar uma reformulação para recolocar o Bahia na posição de protagonismo que já teve no cenário nacional entre os anos 60 e 90. Dos estrangeiros, virão lições que serão usadas na gestão da equipe de Salvador.


"Não queremos só entregar camisa para aparecer. Fui nas Federações, falei o porquê de querer me reunir com eles e eles aceitaram nos receber. Não jogamos uma camisa e ficamos torcendo pra aparecer por aí. Queríamos que as Federações nos recebessem e abrissem as portas para o início de um relacionamento", explica Priscila.

As seleções escolhidas para aproximação foram eleitas após muito estudo. Da Holanda, o Bahia quer tirar lições de como trabalhar a base; de Portugal, os interesses maiores são o plano de sócios do Benfica (time que tem a maior quantidade de sócios-torcedores do mundo) e o programa de scouting do Porto; da Alemanha, o clube soteropolitano quer aprender como gerir uma equipe de futebol ao estilo Bayern de Munique.

A cada uma dessas delegações, foi entregue uma apresentação que conta a história do clube e apresenta a estrutura do Bahia, como seu CT, seu estádio e sua torcida.

O objetivo é claro: rentabilizar. O time de Salvador quer fechar um acordo de patrocínio com valor entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Esse será o primeiro passo na reestruturação da equipe.

"Pra 2015, já temos muita coisa engatilhada. Empresas estrangeiras estão olhando o Bahia com bons olhos. Quando conversamos com os holandeses, já teve gente interessada em saber o valor do patrocinador master, de placas em jogos, da manga...", revela Priscila.

"Nós atraímos o olhar de empresários estrangeiros que querem entrar no mercado brasileiro depois da Copa. Queremos um bom patrocinador master, que garanta renda fixa para o futebol e para o clube", completa.

Além disso, seleções como a dos Estados Unidos se interessaram pelo projeto do Bahia e procuraram o clube. Os americanos se despediram do Brasil, pois foram eliminados da Copa do Mundo, mas já têm uma visita agendada para conversar com o clube de Salvador e trocar ideias sobre gestão, principalmente sobre o modelo de funcionamento das equipes da MLS, a liga de futebol dos Estados Unidos e Canadá.

"Temos que ir atrás de quem é bom e aplicar esses conhecimentos no Bahia. Temos que estudar tudo o que deu certo lá fora e aplicar aqui", resume a gerente.

Maior do Brasil em três anos

Depois de sentar no dinheiro, o Bahia tem como próxima meta voltar a ser protagonista em campeonatos. Nada mais de entrar no Campeonato Brasileiro só para não cair: o objetivo é, pelo menos, a vaga na Libertadores. Isso sem falar em títulos, algo que já não está muito distante da realidade tricolor, segundo o pensamento da diretoria.

"Queremos ter participação internacional, jogar a Libertadores, internacionalizar a marca. Estamos pensando grande para o futuro. Trabalhando sério, não vejo distante um título da Copa do Brasil em breve. Queremos ter um time sempre competitivo, estar entre os primeiros. Acredito que dentro de três anos a gente concretiza o sonho de ser o maior do país. Trabalhando sério, tenho certeza que dá", brada Priscila.

Um pensamento ousado, se for levado em conta que, no meio dos anos 2000, o Bahia estava comendo o pão que o diabo amassou na Série C do Brasileirão, com resultados como uma goleada por 7 a 2 sofrida para o Ferroviário-CE, em 2006.

"Nosso principal objetivo é recolocar o Bahia de onde ele nunca devia ter saído. O Bahia passou 20 anos adormecido. Com o potencial que esse time tem, essa torcida tem, temos que ser protagonistas no cenário nacional", clama a gerente de marketing.

Segundo pesquisas recentes, o Bahia possui cerca de 4,5 milhões de torcedores. É o maior do Nordeste neste quesito, pouco à frente do Sport.

Pra esse ano, vai ser difícil disputar alguma coisa no Campeonato Brasileiro, já que o "Esquadrão de Aço" está em 15º no torneio e vem de quatro derrotas seguidas. Além disso, a equipe está muito perto de perder um de seus principais jogadores: Talisca, que deve ir para Portugal.

Mas, se Neuer e Schweinsteiger se juntarem ao elenco, talvez ainda haja chance dos tricolores soltarem o grito e comemorarem um título pelas ruas de Salvador...

"Bahêa, Bahêa, Bahêa"

ESPN

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